terça-feira, 3 de novembro de 2009

Adoção por casais homossexuais

Adotar uma criança não é só uma alternativa para casais que gostariam de ter filhos biológicos e não conseguem, muitos pais também são adeptos da adoção mesmo que já tenham crianças na família. Em países como a Holanda já é possível a adoção por um casal homossexual desde 2000. Mas no Brasil essa realidade acontece a passos lentos. O programa “Fantástico”, da TV Globo, mostrou recentemente o primeiro casal homossexual a adotar uma criança. Foi o primeiro caso de dupla paternidade reconhecido pela justiça.
No interior de São Paulo, o casal de cabeleireiros Vasco e Junior adotou a menina Theodora. A pequena se dá muito bem com a idéia de ter dois pais, e a própria faz questão de chamar os cabeleireiros de pai, e não de padrinho ou qualquer outro nome. Theodora apenas pede uma irmãzinha, o que não será fácil, já que a família
homossexual ainda não é reconhecida pelo IBGE.
Um novo projeto de lei da Câmara dos Deputados também torna mais difícil a adoção por casais homossexuais, por não terem uma estrutura familiar reconhecida. Mas a lei ainda precisa ser analisada pelo Senado.
É uma questão que ainda não está definida no direito. Nos outros países tem sido muito mais liberado, mas aqui não está bem classificado. Não entendem dois homens como uma família. Mas isso ainda está sendo discutido, pois precisa analisar o ponto de vista emocional, da criança”, explica o advogado Edmilson Damasceno. “Infelizmente ainda temos uma sociedade muito discriminatória

DOIS PESOS DUAS MEDIDAS


Casais heterossexuais que vivem um relacionamento saudável, que transam livremente, costumam trocar os papéis. As mulheres introduzem o dedo, ou dedos, no ânus de seus parceiros, sem que isso confira a eles a suspeita de serem homossexuais: a ela, por estar na ativa promovendo a penetração, e a ele, por estar na passiva, deixando-se penetrar pelo orifício preconcebido nas relações entre "gays".
Ora, se os dois, marido e mulher, podem sentir prazer neste tipo de ato sexual, não lhes cabe ser implacáveis com o prazer sexual proveniente de duas pessoas do mesmo sexo. Os órgãos e as ações que geram o prazer, neste tipo de ato não são os mesmos?
Então, por que insistir no preconceito contra as características essenciais de seus semelhantes, por assumirem a sua maneira de ser?
Nas relações homossexuais os parceiros também trocam os papéis predeterminados socialmente a ambos os sexos. Eles partilham indiscriminadamente, sem se preocupar em ser masculino ou feminino, mas sim, e unicamente, em sentir e em dar prazer.
Precisamos olhar para os homossexuais como seres semelhantes a nós, respeitando apenas a diferença da prevalência da união sexual com as pessoas do mesmo sexo.
Ou melhor dizendo: precisamos entender que somos todos igualmente diferentes. E o justo é respeitarmos as diferenças.
As crianças filhas de homossexuais não se tornam homossexuais. Pesquisas científicas mostram que filhos de heterossexuais têm as mesmas possibilidades de se tornarem homo, sem motivos aparentes.
Ouvi pessoas, de ótimo nível cultural, criticarem uma novela em que duas meninas lésbicas se apresentavam sem censura, de forma clara. Alegavam essas pessoas que o lesbianismo ia crescer diante da "propaganda" da tal novela.O esclarecimento, a informação sobre a homossexualidade, não induz aqueles que são hetero a se tornarem homossexuais.
O que poderia acontecer, e seria ótimo se acontecesse, é que muitas pessoas sairiam do armário e tomariam a devida coragem para assumirem as suas características, vencendo os preconceitos da sociedade e principalmente os seus próprios preconceitos.
Só assim, cada um, vivendo com liberdade, mostrando o que é, poderá fazer a sua parte para que a sociedade ainda que de forma lenta e cheia de precauções, por medo de críticas, venha aceitar a homossexualidade como uma variante da biodiversidade sexual.

HOMOSSEXUALIDADE NA VELHICE






Quando os homossexuais vão chegando à velhice, temem o abandono, a solidão e a pobreza. A grande maioria não tem filhos. Alquebrados pela perda do seu par, os idosos são obrigados a enfrentar uma guerra pra conseguir uma pensão, uma herança de seu par.
Há casos em que se vêem obrigados a voltar pro armário, ocultando sua condição de homossexuais, na fase da vida em que mais prezam a liberdade. E fazem isso para conseguir uma vaga num asilo, porque o preconceito se manifesta sob diversas formas.
Em uma dessas instituições, uma senhora viu a enfermeira se recusar a dar banho numa lésbica, sob a justificativa de que não queria tocar no corpo de uma lésbica.
Uma minoria experimenta contatos heterossexuais, pra poder voltar ao seio da família e da sociedade. Mas não suporta o sacrifício e abandona este comportamento, assumindo definitivamente sua natureza homossexual, mesmo correndo o risco de ter uma velhice miserável.
Enquanto as garantias legais não passam de esperança, alguns poucos privilegiados financeiramente são obrigados a gastar altas quantias, pra garantir um tratamento digno de um ser humano quando chegam ao fim da vida.

A Homossexualidade e a Sociedade




Assunto, que sempre foi “tabu” nas discussões abertas, agora entra na pauta do Congresso Nacional.O homossexualidade esteve presente na Sociedade desde os tempos mitológicos. As grandes orgias de Athenas já apontavam para a liberação do sexo entre iguais como uma prática natural.Aos poucos os dogmas sociais e religiosos passaram a estigmatizar estas praticas e colocar seus praticantes ou defensores na clandestinidade. Não era de bom tom para as civilizações feudais nem para os nobres da época, bem como para a igreja, aceitar o relacionamento entre iguais. Iniciava-se aí uma verdadeira “caça as bruxas” que certamente se estende até os dias de hoje.A sociedade contemporânea já aceita, de certo modo, algumas manifestações de preferência sexual. Ainda existe muita discriminação por parte de parte do corpo social contra aqueles que optam por se relacionarem com pessoas do mesmo sexo. Deve ser destacado comentário de Ronaldo Trindade em “Homossexualismo em São Paulo” (Pags: 253-254) quando diz: “ da ousadia de Florestan Fernandes, para quem o segmento homossexual era um grupo específico dentro da sociedade mais ampla - e não pessoas portadoras de uma patologia, como até então eram pensados no Brasil - , e do acesso de Barbosa da Silva ao círculo social composto de homossexuais de classe média em que convivia, abria-se a possibilidade para que o primeiro estudo sociológico moderno sobre homossexualidade fosse feito em São Paulo”.Já um estudo feito pela Universidade Federal da Paraíba, coordenado pelo psicólogo Marcos Lacerda e editado pela Revista Psicologia - Reflexão e Crítica (UFRS) obteve resultados alarmantes, já que foram realizados dentro do ambiente acadêmico, pois indicaram que o preconceito contra homossexuais é latente em mais de três quartos dos estudantes pesquisados, em resposta a um questionário que pretendia avaliar os níveis de rejeição ao sentimento de intimidade, a escala da expressão emocional, a escala de explicações e a rejeição pura e simples. Nestes itens às mulheres foram bem mais preconceituosas ( 54% dos estudantes eram mulheres ) em relação aos estudantes homens. Todos os grupos apresentaram posições claras com relação ao assunto: Aqueles que se declararam não preconceituosos explicaram que baseiam suas considerações em explicações psicossociais - aceitam as diferenças pelo seu contexto e não como um desvio -, já os que declararam abertamente o preconceito contra os homossexuais tem nas explicações ético-morais-religiosas - sua base de argumentação ( desvios de caráter, falta de respeito ou moral, falta de fé etc...).